A arte da Auto Adaptação


 

Gislenny Benevides – Psicóloga e Neuropsicóloga, especializada em Docência do Ensino Superior e Pós Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental.
Gislenny Benevides – Psicóloga e Neuropsicóloga, especializada em Docência do Ensino Superior e Pós Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental.

A expressão “a vida é uma peça de teatro” muito usada por grandes autores me toma em uma reflexão intrínseca sobre, o quanto nos encaixamos bem no termo, “passageiros no trem da vida”. Quando menos se espera o espetáculo da vida, pode chegar ao fim e como um passe de mágica, surge uma nova história para ser contada, interpretada, sonhada e vivida.  Partindo desse pressuposto, me deparo em meio a uma inquietação acerca da necessidade e da importância da adaptação, frente ao novo, o qual às vezes é surpreendentemente espontâneo, inesperado e assustadoramente desconhecido.

Falar de mudanças, quase nunca é fácil, principalmente pelo fato dessas, nos tirar da nossa zona de conforto, área a qual nos enganamos, em achar que temos o controle. Muitas pessoas preferem continuar confortáveis no lugar em que se encontram por medo de mudar. No entanto, cabe ressaltar que para iniciar um novo ciclo se faz necessário ultrapassar as fronteiras emocionais e afetivas, focando novas situações.

A adaptação do sujeito a mudanças quer seja no nível profissional, pessoal ou social, emocional etc, acarretará em consequências que poderão afetar o pensar e agir psicológico do sujeito, pois o ideal pode ser diferente e às vezes o oposto do real, para isso, se faz necessário uma analise profunda sobre o estado atual e o desejado.  As mudanças vêm da capacidade de praticar algo almejado e até então vigente somente no campo abstrato, para tanto, mudar, transformar e melhorar assume um papel crucial.

É importante ressaltar que nem sempre o ideal será o real, uma vez que esses podem se chocar e gerar frustrações. Em muitos casos, pode ocorrer do sujeito desejar a mudança, no entanto quando inicia o processo de transformação encontra uma grande dificuldade em adaptar-se às novas situações apresentadas, pois esse está fixado ao passado, o que o torna sua estrutura rígida e resistente a flexibilização necessária para um processo de mudança dito minimamente saudável.

Em meio às mudanças cada vez mais fugazes em nosso cotidiano, nota-se que a adaptação, assim como a resiliência são características primordiais, considerada como virtudes essenciais para a continuidade da espécie e da ordem social, sobretudo em uma sociedade moderna.

A resiliência, por sua vez pode ser definida como a capacidade de uma pessoa lidar com seus próprios problemas, vencer obstáculos superar dificuldades e resistir à pressão de situações adversas, (choque, estresse, traumas, perdas, decepções etc) possibilitando aos indivíduos tomarem decisões conscientes, mesmo em meio ao caos internalizado, em função das adversidades do dia-a-dia.

Essas decisões propiciam forças na pessoa para enfrentar a adversidade. Assim entendido, se pode considerar a resiliência como uma combinação de fatores que propiciam ao ser humano condições para enfrentar e superar problemas e adversidades. É importante enfatizar que a resiliência de uma pessoa dependerá da interação de sistemas adaptativos complexos, como o círculo social, família, cultura, entre outros, podendo essa se apresentar ou não diferentes fases, momentos e situações da vida de uma pessoa, variando ao longo do tempo.

A adaptação envolve a construção de esquemas estruturais provenientes da interação de cada indivíduo com o meio social. Esses esquemas podem ser definidos como padrões de comportamento e de pensamento que organizam a nossa relação com o meio, através de diretrizes mentais as quais, consolidando nossa experiência, estão envolvidas na aquisição de conhecimentos. Tais fenômenos ocorrem devido às capacidades de ressignificação cognitiva e plasticidade cerebral, as quais permitem aos seres humanos a obtenção, assimilação e/ou reformulação de novos conceitos através de estruturas não rígidas do nosso cérebro.

Por mais benéfica e vantajosa que pareça a mudança, sempre será emocionalmente solicitado ao sujeito que tenha ele um momento de assimilação e acomodação, processo esse conhecido por auto adaptação estrutural, onde corpo e mente, poderão aos poucos vivenciar as novidades recém chegadas. A inteligência emocional é fundamental para fazer boas escolhas, há momentos em que é preciso romper barreiras, quebrar paradigmas, reformular ou obter novos conteúdos, ou seja, é preciso, mudar. É primordial, refletir acerca da funcionalidade da nossa rigidez condicionada, flexibilizar, adaptar, criar e tirar vantagens das mudanças. Aprender a viver com a inconstância, talvez seja a direção mais saudável para uma vida mais serena e feliz.

Chegando ao final desse artigo, conclui minhas ideias fomentadas na percepção de um estado de felicidade, ocasionado por altos e baixos e pela capacidade da auto adaptação a esses fenômenos eminentes ao ser humano. Ser feliz pode ser tão somente, uma questão de autoconhecimento, fé na vida, inteligência emocional, pensamento positivo, autoperdão e acima de tudo amor próprio. Adaptar-se é vital.

Gislenny Benevides – Psicóloga e Neuropsicóloga, especializada em Docência do Ensino Superior e Pós Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental.