O que tem sentido? (parte II)


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O QUE TEM SENTIDO? ORA, AQUILO QUE ME MOTIVA. (Parte 2)

 

Tenho refletido muito sobre o que é a motivação, numa tentativa de não colocar os conceitos (vários) epistemológicos, científicos. Só na área da Psicologia o termo motivação vai passar por uma diversidade de descritivos. Deixarei uma referência ao final, de um artigo que demonstra isso muito bem! Enfim, fiquei buscando a melhor forma de descrever motivação como uma busca de sentido que acomete todo ser humano. E, nas minhas buscas, encontrei algo que me motiva,que me leva a um sentido na construção deste texto.

Para fechar, ou quem sabe alimentar (!), minha busca, ouvi um professor numa aula do curso de mestrado que falou muito bem aquilo que já reverberava em mim. De fato, o que nos motiva nos dá brilho nos olhos, nos faz pensar como fazer para melhorar, nos faz desejar crescer independente da variedade das situações por mais difíceis que sejam ou que possam parecer. Digo que possam parecer, por que há o fator da ansiedade, esta faz antecipar uma série de pensamentos que não são contestados da forma correta. E dependendo da história de vida do sujeito, há uma forte tendência para pensamentos antecipados e negativos (na maioria das vezes) sobre o projeto, proposta ou qualquer coisa futura.

Então, vou seguir falando de mim, e penso que talvez atinja os leitores com as identificações ou lembranças de suas próprias histórias de vida.

Quando era criança jamais imaginava sair de um “lugar de conforto”, chamo de lugar de conforto aquele lugar ou situação aos quais nos acostumamos. Seja uma família unida ou desunida, pais presentes ou ausentes;estudando ou não… qualquer lugar. Ao tornar-me adolescente comecei a trabalhar na pequena empresa do meu pai, aliás, todos os filhos trabalhavam no mesmo lugar naquela época. O “lugar de conforto” passou a ser desagradávelpara a maioria dos filhos com o passar dos anos devido às condições da relação empregador e empregado com vários pontos negativos.

Até que, no meu caso, ouvi uma frase que me tirou daquele lugar“Nunca serão nada sem minha ajuda” (sic). Ouvir isso da sua casa paterna não é fácil, posso garantir! Fato é que, aquelas palavras me motivaram ao diferente. Fez surgir em mim o desejo de ir além do que muitos (isso dentro da família) acreditavam. Passei a ter brilho no olhar e o desejo de fazer diferente. Fui desafiada! Claro, encontrei pessoas que me ajudaram que se dispuserama uma palavra amiga e quando não haviam palavras os gestos prevaleceram.

Hoje, descobri um nome e sobrenome para os encontros que me transformaram e vêm me transformando, chama-seIntencionalidade Pedagógica. Esse nome bonito é dado para o encontro entre professor e aluno, quando o professor reconhece no outro um ser merecedor de atenção, franqueza, respeito e pretende com isso estabelecer uma ligação com um fim único: passar muito mais que conceitos e teorias. O reconhecimento do humano.

Na prática, fui e sou reconhecida como humana, pois encontrei diversos “professores”ao longo do meu caminho e continuo encontrando. Foram de fato meus professores na escola primária, no ginásio, na graduação, na pós-graduação; meus amigos e alguns desconhecidos… Foram meus alunos, ou ainda são;são meus clientes na clínica…, e não posso esquecer minha família.

O que me motiva é saber que enquanto profissional psicóloga e professora, enquanto amiga, enquanto desconhecida, enquanto filha… Posso levar ao outro a possibilidade de ver as diversas opções, que antes não eram visualizadas, e que se estendem a sua frente. Da fragilidade da vida à força que existe em ser frágil.

E você que acabou de ler este texto, o que te traz brilho no olhar? O que te motiva a cada dia? Já pensou nos caminhos a seguir para realizar seus sonhos?

Não estou dizendo que é fácil realizar sonhos e desejos, ao contrário é um processo árduo e doloroso que exige reconhecimento de que se é fraco, para de fato ser forte.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

TODOROV, João Cláudio; MOREIRA, Márcio Borges. O conceito de motivação na psicologia. Rev. bras. ter. comport. cogn.,  São Paulo ,  v. 7, n. 1, p. 119-132, jun.  2005 .   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-55452005000100012&lng=pt&nrm=iso>. acessos em  13  mar.  2017.

NEGRI, Paulo Sérgio. Artigo: A intencionalidade pedagógica como estratégia de ensino. Montes Claros, out. 2010. Disponível em: https://lilianamaro.wordpress.com/2013/03/14/a-intencionalidade-pedagogica-como-estrategia-de-ensino-paulo-sergio-negri/ Acesso em 10/03/2017.

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Vera Lúcia Santos – Psicóloga, Especialista Clínica em Gestalt-Terapia, Especialista em Saúde Mental; atualmente mestranda do programa Família na Sociedade Contemporânea na UCSAL. Atende em clinicas em Salvador/Ba e Camaçari/Ba. Contato: [email protected]



O que tem sentido? (parte I)


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Estamos no inicio do ano, mês de Janeiro de 2017! Com o novo começo, mais uma chance de repensar o que se tem feito. A vida, as relações, o trabalho, os estudos, novos hábitos… Novos projetos ou até a retomada de projetos antigos. O que vale é ter sentido não para a sociedade, mas para mim. E aí surge a pergunta, o que significa ter sentido para mim, como assim?

Viktor Frankl (1905-1997), um psicólogo vienense, em vida tratou de transmitir de forma extraordinária o que era este sentido e fez isso a partir de suas experiências como prisioneiro durante treze anos em campos de concentração nazistas no período da Segunda Guerra Mundial. Claro que antes disso ele tinha uma vida, profissão, família… Contudo quem ler o livro Em busca de sentido: um psicólogo no campo de concentração terá uma sensação de que aqueles anos de sofrimento levou o autor a encontrar de fato um sentido para a vida.

Uma pergunta! Por que está sendo citado um autor do século passado para falar de sentido da vida hoje? As condições eram outras, a história era outra. Não há como discordar desse argumento, é verdade.Mas naquele período,Frankl percebeu algo em que a sociedade em sua grande maioria esta mergulhada nos dias de hoje, o desejo de ser melhor quanto ao ter e não quanto ao ser.

Atualmente a maioria das pessoas deseja ter. Ter o melhor carro, a melhor casa, os melhores móveis, a melhor roupa, o melhor plano de saúde, o melhor emprego… E se não for o melhor emprego que ao menos lhe pague bem melhor que os outros. Sempre melhor! O mais interessante é que na verdade esse TER diz respeito a TER e SER melhor que os outros. Ou seja, a necessidade de ter mais e melhor que meu vizinho. Que o filho ou filha tenha mais e melhor que o coleguinha da escola ou que “meu filho ou filha jamais passem pelo que passei na minha infância, quando eu não tinha”!

Então, esse deve ser o sentido de fato de uma vida? Ter e ser melhor que os outros? Uma preocupação eterna com o externo? Damo-nos conta disso? Você já se deu conta disso?

Sigmund Freud (1856-1939) escreveu um Livro intitulado o Mal Estar Da Civilização em que sinaliza uma busca constante da civilização pela satisfação e o prazer. E a falta dessa realização acaba levando ao adoecimento. O que chama atenção para uma coisa, também se trata de séculos diferentes, mas de assunto atual. Hoje chama a atenção o crescente número de casos de pessoas com depressão e que vêm a cometer suicídio. Claro que precisamos estar atentos, pois depressão pode ter causas fisiológicas e existenciais, cabe à avaliação de um profissional qualificado para isso (pode ser um psicólogo, um psiquiatra ou um bom médico clínico).

Em caso de causa existencial, há que se considerar o que ocorre na vida desse sujeito. Ah, mais o Fulano de Tal tem tudo! Uma boa casa, uma boa família, o emprego dos sonhos, um bom carro… Por que ele esta com depressão?

Provavelmente porque estas coisas não tem sentido para ele.

Mas como assim?

Talvez em algum momento da vida de Fulano de Tal, ele tenha se desviado de algo que lhe era muito mais significativo do que o “ter” e o “ser” material. Mesmo porque somos levados o tempo inteiro pelos meios de comunicação a ter e ser materialmente; a demonstrar a felicidade acima de tudo.

Enquanto sociedade,aprendemos ao longo do tempo a nos podar (ter o controle), e por ter sido uma doutrina passa-se adiante. Hoje chorar, demonstrar sentimentos e comportamentos que não sejam de felicidade é proibido. E se perguntamos por quê não pode chorar ou ficar triste, a resposta vem de imediato “você tem que mostrar que é melhor, que está bem e feliz!”. E, encerrando com mais uma pergunta, qual o sentido disso?

Vera Lúcia Santos Psicóloga Clinica e Gestalt-Terapeuta CRP-03/6854 Contatos: (71) 99173-9089 (Tim)/ (71)98145-7902 WhatsApp (Claro) … Nós, que é diferente do Eu e Tu. Nós não existe, mas consiste do Eu e Tu, é um fronteira em constante mudança onde duas pessoas se encontram. E quando nós nos encontramos lá, eu me modifico e você se modifica através do processo de encontrarmos um ao outro… (PERLS, 1969, p.7 apud HYCNER E JACOBS, 1995)