Relacionamento Conjugal e Violência Doméstica


Foto: Ilustração

Ao longo da história da espécie humana, formatou-se uma visão, hoje percebida como demasiada equivocada e preconceituosa do sexo feminino, uma vez que se percebe “certa apologia” a violência doméstica, sobretudo contra as mulheres, as quais tinham a sua imagem vinculada a ideia de um ser inferior e propriedade do homem reforçando uma submissão que apesar de subliminar se configura potencialmente fatal. A grande questão é que a mulher vem lutando e conquistando um espaço maior e mais justo na sociedade contemporânea, fato esse marcado principalmente pelos movimentos feministas que se destacaram em um cenário histórico social, culturalmente machista feito exclusivamente para os homens, até então detentores de um poder supremo.

A palavra violência deriva do Latim “violentia, que significa “veemência, impetuosidade”. Mas “na sua origem está relacionada com o termo “violação” violare” e podem ser observadas contra mulheres, crianças idosos, grupos étnicos, orientação sexual e etc. Nesse sentido a violência pode ser conceituada pela agressividade de forma intencional e excessiva formulada de modo a ameaçar ou provocar algum ato que resulte em acidente, morte ou trauma psicológico. Essa por sua vez, pode se expressar de diversas formas e sentidos (ROSA et al, 2008).

A violência doméstica é todo tipo de violência praticada entre os membros diretos ou indiretos de um mesmo núcleo familiar. Pode acontecer entre pessoas com laços de sangue, ou unidas através do laço matrimonial, inclusive a por união estável.A violência doméstica pode ser subdividida em violência física, psicológica, verbal, emocional, cultural, regional, sexual, patrimonial, gênero e moral. Também é considerada violência doméstica o abuso sexual e/ou maus tratos contra crianças e idosos(ROSA et al, 2008).

O processo pelo qual a violência acontece permeia expressões, crenças disfuncionais e significados socialmente formulados e reconhecidos que buscam “maquiar” as relações de força e poder existentes na sociedade, desde a sua constituição atuando sob os “menos favorecidos”de maneira exploratória e manipulável impondo padrões e rótulos com viés excludente fomentando uma cultura arbitrária enquanto poder de julgamento máximo e verdade absoluta, cumprida e seguida pela classe “dominada”.

Faz-se necessário ressaltar que os objetivos políticos e socioculturais que permeiam a nossa sociedade não são apenas mecanismos utilizados pela classe dominante para encobrir a realidade e validar as desigualdades, pois essas também podem ser identificados e aceitos como estruturas de poder fundamental para a manutenção da ordem social, expressadas na cultura através das diversas manifestações de controle, poder e domínio.

A compreensão do fenômeno da violência doméstica presente quase sempre na relação conjugal exige um olhar evoluído e livre de preconceitos e rotulações, sobretudo quando se trata de casais que, mesmo em situações de violência, permanecem juntos. Para tratar da violência conjugal é necessário que se adote uma abordagem empática, o que não significa validar ou desconsiderar a responsabilidade do agressor, mas significa, ter um olhar de maior compressão em relação ao ato violento, sobretudo analisando todo o contexto no qual o mesmo foi executado.

Os sujeitos devem ter o direito de expressar sentimentos, crenças, justificativas, valores e informações sobre o que os levou a agredir ou, mesmo, a não concordar que agrediram a companheira. Observa-se a necessidades de um trabalho voltado para a desconstrução de paradigmas, outrora formulados de forma equivocadas e que hoje promovem sofrimento e a manutenção da desigualdade de gênero e a violência doméstica indo na contramão de um discurso contemporâneo que prega a igualdade e a equidade entre gêneros.

Desse modo chegamos ao final desse artigo com a certeza que a violência, inclusive a doméstica perpassa todos os níveis sociais e que assim como uma doença contagiosa, seja ela qual for uma vez não tratada poderá ser multiplicada nos núcleos familiares e posteriormente replicada pelas futuras gerações. Daí a importância do trabalho de humanização que desenvolva um olhar empático capaz de promover a equidade, assegurando as próximas gerações segurança e dignidade social, respeitando as características biopsicossociais de cada pessoa independente do sexo.

Gislenny Benevides – Psicóloga e Neuropsicóloga, especializada em Docência do Ensino Superior e Pós Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental.Gislenny Benevides – Psicóloga e Neuropsicóloga, especializada em Docência do Ensino Superior e Pós Graduanda em Terapia Cognitivo Comportamental.